Memória

•January 17, 2011 • Leave a Comment

Porque sinto que há algo em comum entre aqueles violinos tristíssimos de Villa-Lobos que eu escutava quando me mudei para São Paulo e me sentia só, a poça de sangue que vi ao lado de minha avó depois de meu pai tentar ressuscita-la sem sucesso com a ajuda da geriatra e aquela avenida de Porto Alegre por onde passava quando chegava de viagem do aeroporto e sonhava com o aconchego do apartamento onde estaria em poucos minutos. Todas essas impressões estão em minha memória, aflitivamente próximas umas das outras, como que pedindo, implorando mesmo, que eu escute novamente aquele CD, visite o túmulo de minha amada avó ou embarque para Porto Alegre neste exato instante para ao menos passar por aquelas ruas novamente e tentar sentir um resquício das sensações que sentia quando por ali passava (na impossibilidade de alugar novamente e decorar exatamente igual aquele apartamento onde eu e minha mulher vivemos momentos tão felizes, muitas vezes conscientes, tantas sem o saber).

Amor à pobreza

•November 1, 2010 • Leave a Comment

Ontem, parado de pé em um local de votação, eu via as pessoas chegando com seus carrinhos do ano para votar na Dilma e pensava: meu Deus, quanto idiota útil tem nesse país para votar em comunista filho da p***. Os argentinos ao menos são mais coerentes: seus carros são velhos; ou seja, quando eles votam nessa galera eles querem CONTINUAR pobres, e não TORNAR-SE pobres.

•January 31, 2010 • Leave a Comment

Se um dia você encontrar isso aqui na Internet, vai precisar disso aqui, se tiver um Mac. Ah, e vai ter que abrir uma conta aqui (pagando, pra variar um pouco, seu pão duro).

Banco do Bananão

•January 29, 2010 • Leave a Comment

Cartão de crédito internacional que não está habilitado para compras internacionais pela internet. Transferência online PARA O MESMO BANCO sujeita a aprovação há mais de 2 horas (cancelei esta e fiz por outro banco).

Isto é Banco do Brasil.

Aprendendo jornalismo

•January 27, 2010 • Leave a Comment



A “mídia” é, por definição (ou estruturalmente, se quisermos), marcada por algo que eu chamaria de desproporcionalização dos fatos.

Tomemos o exemplo de uma notícia que saia num jornal impresso. Uma pessoa passou por uma lipoaspiração e morreu na mesa de operação. A notícia então sai no jornal. Na cabeça dos leitores, imediatamente começa a formar-se a idéia de que é perigoso fazer lipoaspiração. Mas essa ideia é baseada em quê? Quantas pessoas fizeram lipoaspiração e não morreram? Se um jornal fosse obrigado por lei a manter as proporções, cada edição diária teria umas 10 mil páginas, onde viriam os nomes de todas as pessoas que fizeram lipoaspiração e não morreram. Lá no meio, então, veríamos a dona fulaninha que morreu. Veríamos? Nem chegaríamos a ver.

Todo mundo se deixa enganar por essas coisas. Eu mesmo, outro dia, atinei para o fato de que eu tinha a seguinte idéia na minha cabeça: câncer de próstata é MUITO perigoso e atinge MUITA gente, provavelmente quase metade da população masculina. Como a idéia estava num nível quase inconsciente (como todas as outras que temos, diga-se de passagem!), eu pude acreditar nela. Mas a simples enunciação aí em cima já mostra que ela é descabida. Mais de metade dos homens do mundo têm câncer de próstata durante a vida? Então fui atrás de estatísticas e descobri (com MUITA dificuldade) algo muito mais surpreendente do que eu esperava. A doença atinge algo em torno de 0,02% da população masculina brasileira. Sim, só isso! Passamos a vida preocupados por causa de uma merreca dessas.

Na verdade, quando eu disse que nos deixamos enganar, expressei-me mal. Não tem ninguém efetivamente nos enganando. E esse é justamente o problema. Deveria ser nossa obrigação manter as proporções na cabeça. Mas não é assim que acontece. Ninguém se preocupa com isso. O ser humano não sabe lidar com o jornalismo. E, para piorar, a mídia é de massa. Ou seja, ela nos cobre com uma enxurrada de notícias, quase sempre retiradas das profundezas dos zeros vírgula zeros.

Então, uma das maiores preocupações que eu tenho na minha cabeça é esta. Todo dia acordo dizendo a mim mesmo: Você não sabe lidar com o jornalismo. Aprenda!

•January 22, 2010 • 1 Comment

Vocês se lembram de quando a Amazon.com enviava marcadores de livros junto com nossas compras? Pois é. Nunca mais recebi. Em compensação os livros estão cada vez mais baratos. Muitas edições impressas são mais baratas que a respectiva versão para Kindle, o que me foge totalmente à compreensão, mas até que me deixa feliz.

Enquanto isso, aqui no Bananão, livrinhos de bolso de 150 páginas da José Olympio custam 34 reais! É que não temos leitores suficientes para aumentar as tiragens e, além disso, sobram impostos e esbanjamento de luxo no material da capa e no papel. Bem, acho que é isso, pelo menos.

Por falar nisso, li hoje num jornal: “Um dos objetivos nacionais deveria ser a produção de leitores em larga escala, em um tempo histórico mínimo.” QUE MÊDA!!!

Amor de juiz?

•January 20, 2010 • 2 Comments

Cada vez mais chego a uma conclusão: não é que eu não tenha a capacidade de julgar as pessoas; o que me falta é o tempo necessário para essa tarefa verdadeiramente hercúlea e inconsumável (se é que existe essa palavra).

Bem, na prática, dá no mesmo. Afinal, uma tarefa que demandaria a eternidade para ser realizada é, para um ser humano, uma tarefa para a qual ele não está capacitado; ou seja, que só cabe a Deus.

Mas não vou negar que sempre resta esta impressão de superioridade, de que os outros são insuportáveis! Ô coisinha difícil esse diacho de amor ao próximo…