Chega de reclamação

Apesar de ser o desilustre possuidor de um blogue dotado de um nome tão amargo como este aqui, o fato é que não sou hoje o mesmo que era quando criei este espaço de lamentação cotidiana. Em outras palavras, não ando nem de longe tão reclamão quanto eu era até há, digamos, uns dois anos. Ainda considero que ter nascido no Brasil é um fardo e um desafio de sobrevivência, mas deixei de achar que as pessoinhas lamentáveis (importante: aqui não me refiro aos políticos) que fazem desta terrinha o que ela é mereçam minha agonia. O caminho simplesmente não passa pela reclamação e pela lamentação, muito embora seja divertido agonizar verbalmente de vez em quando! O caminho é a autopreservação no meio da podridão, através de várias estratégias de sobrevivência, que passam até pela esfera financeira. Nesta esfera, por exemplo, meu planejamento financeiro não visa uma “aposentadoria digna aos 65 anos de idade”, como costuma ser o caso num país normal. Num lugar como o Brasil, onde os impostos são surreais, as pessoas são ladras e, consequentemente, quase toda forma de bem-estar – até mesmo as mais básicas – custa dinheiro, não basta ter uma quantidade razoável de dinheiro para não passar necessidades e contrariedades; é preciso ser rico. E num contexto assim, vale a pena fazer sacrifícios para garantir uma espécie de aposentadoria precoce, pois o emprego também pode ser perdido facilmente. Enfim, meu objetivo financeiro é “viver de renda”. No Brasil isso não é luxo, deveria ser um objetivo de qualquer pessoa sã, ainda que, para isso, seja preciso fazer uma quantidade de economia acima da média por uns anos. O slogan seria algo como: empobrecer para enriquecer. Ou: quando você tiver vontade de comprar aquele carro ou fazer aquela viagem ao exterior, guarde o dinheiro. Se essa vontade vier de novo no ano que vem, guarde o dinheiro de novo. Em uns 6 ou 7 anos você vai ver que já estará rico. Acha que eu estou brincando? Há até livros sobre isso. Uma vez li sobre um casal que ficou enfurnado em casa por 5 anos, sem ir a restaurantes, sem viajar e sem encontrar com os amigos senão em casa mesmo ou na casa destes. Conseguiram economizar, durante esse tempo, mais de metade de sua renda mensal. Sabe o que aconteceu? Eles ficaram ricos.

Alguém vai dizer que dinheiro não traz felicidade. Mas a isso eu respondo: não deveria, mas no Brasil traz. Ou antes: é precondição para ela, numa proporção muito maior do que deveria ser.

~ by Evandro Ferreira on November 9, 2009.

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