Bush, o “destroyer” socialista

Faz tempo que eu não cito nada da Escola Austríaca. Andei meio distante de aparentes radicalismos por um tempo. Mas, em tempos de crise financeira, é bom voltar a quem realmente entende de economia. Afinal de contas, parece que não são tão radicais assim. Estavam certos! Vejam o texto.

 

Em tempo, há outros textos ótimos entre os “daily articles”. O site está cada dia melhor. E há também uma pequena versão em português. Gostaria de indicar, particularmente, este livro. Não o li, mas indico mesmo assim, pois acredito que seja excepcional. A falácia de que a Grande Depressão de 1929 foi culpa do mercado já está tão superada, que há até (veja você!) intelectuais brasileiros admitindo isso. Veja o artigo de Claudio Haddad, diretor-presidente do Ibmec, que saiu no Valor Econômico de ontem:

 

Crise estrutural ou acidente de percurso?
Claudio Haddad
25/09/2008

 

“As notícias sobre a minha morte foram muito exageradas.” – Mark Twain

 

Segundo alguns analistas, a crise atual seria estrutural. O capitalismo precisaria de uma profunda reforma, assim como aconteceu nos EUA nos anos 30, com o New Deal. A percepção é equivocada, o exemplo não é bom e a suposta emenda poderia ser pior do que o soneto.

 

O sistema financeiro, pelo fato de trabalhar com ativos correspondendo a um múltiplo de seu patrimônio, é por natureza instável e sujeito a crises periódicas. A crise atual tem se mostrado mais profunda e extensa do que as últimas. E, devido à redução de ativos e à contração do nível de crédito, ela continuará contagiando o resto da economia, reduzindo a taxa de crescimento do PIB mundial. Toda crise traz novas lições e as desta certamente serão incorporadas pelo mercado e pelos agentes reguladores. Mas seu vírus, assim como o da gripe, sofre mutações e é fútil pensar que o conhecimento adquirido, ou uma nova, abrangente e “sábia” regulação irão evitar novo surto da doença, com uma variante do vírus.

Vista dessa forma, a crise atual é um acidente de percurso do capitalismo, regime que, apesar de seus defeitos, tem se mostrado o mais eficiente em gerar riqueza e progresso na história humana. No entanto, esta não é a posição de parcela significativa da opinião pública. Alega-se que esta crise é semelhante à de 1929 que, nos EUA, gerou uma grande intervenção na economia através do New Deal. E que um novo programa, profundo e abrangente, deveria ser executado pelos governos nacionais para disciplinar os mercados, com um maior grau de controle e planejamento sobre as economias. Esta visão pode ser atraente sob o ponto de vista político, mas é equivocada sob o econômico.

 

A sabedoria convencional sobre o New Deal é que ele foi um programa eficiente que, através de forte intervenção governamental e aumento de gastos públicos, tirou a economia americana da recessão. Em livro recente, a comentarista econômica Amity Shlaes contesta esta sabedoria convencional (“The Forgotten Man”, HarperCollins, 2007). As medidas econômicas tomadas para debelar a crise, tanto por Hoover quanto por Roosevelt, ambos ativistas, agravaram e prolongaram a crise. Como se pode verificar no gráfico abaixo, cujos dados são extraídos de Shlaes, o desemprego nos EUA continuou elevado até a Segunda Guerra, e a bolsa, em 1940, ainda estava abaixo do nível de 13 anos atrás. O país só saiu da recessão na guerra, com 12% da população engajada nas forças armadas e a indústria trabalhando 24 horas por dia para supri-las de material bélico.

 

Os erros se sucederam, começando pelo diagnóstico. O forte crescimento econômico da década de 20 foi tido, após a queda da bolsa em 1929, como ilusório, a atenção se concentrando nos excessos que sempre ocorrem nesses períodos, ou seja, na forma ao invés da substância. Seria necessário haver mudanças estruturais profundas no sistema através da intervenção e do ativismo governamental. Hoover aumentou salários na recessão, permitiu que tarifas proibitivas de importação (Smoot-Haley) virassem lei e aumentou impostos, mas nada fez para evitar falências em massa do sistema bancário. Roosevelt, influenciado por intelectuais que admiravam o planejamento e controle da União Soviética e da Itália de Mussolini, ampliou a interferência no sistema produtivo através de múltiplas agências e de legislação, ao mesmo tempo em que culpava empresários pelos problemas da economia, patrocinava uma caça às bruxas e aumentava ainda mais os impostos sobre indivíduos e empresas. A forte expansão de gastos públicos, motivada pelos novos programas sociais, não foi capaz de compensar a redução de produção provocada pela queda de investimentos em função da deterioração do ambiente de negócios e da política monetária restritiva, seguida em todo aquele período. Como se vê no gráfico, em 1938 o desemprego tinha voltado ao nível de 1931, no auge das falências bancárias.

 

A recessão iniciada em 1929 atingiu praticamente todos os países. Entretanto, a partir de 1932, o PIB da maioria deles voltou a crescer. O diagnóstico equivocado nos EUA transformou o que, segundo o banqueiro Andrew Mellon (uma vítima da caça às bruxas do New Deal), seria apenas um mau quarto de hora na história americana, em uma prolongada depressão.

 

Entender o que aconteceu nos anos 30 é importante para se desmistificar a suposta eficácia da intervenção e do controle governamental. Já para os que prematuramente decretam o fim do capitalismo, fica a frase de Mark Twain em epígrafe.

~ by Evandro Ferreira on September 26, 2008.

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