Olavo e Voegelin

O artigo de Olavo de Carvalho, De Platão a Mangabeira, está imperdível.

O que admiro no Olavo de Carvalho é que, por mais chulas que sejam suas palavras, por mais praguejantes que pareçam suas observações, todas elas estão fundadas sempre em princípios filosóficos profundos. O princípio filosófico por trás deste texto em particular é o mesmo de A República, de Platão, e encontra-se no seguinte trecho:

Outro dia, rememorando Platão, escrevi que filósofo é o indivíduo que tenta encontrar um princípio de ordem na sua própria alma e então – só então – diagnosticar ou mesmo tentar curar a desordem do mundo.

Veja esta outra explicação, de Eric Voegelin, em The New Science of Politics:

The meaning o the anthropological principle must, therefore, be qualified by the understanding that what becomes the instrument of social critique is, not an arbitrary idea of man as a world-immanent being, but the idea of a man who has found his true nature through finding his true relation to God. The new measure that is found for the critique of society is, indeed, not man himself but man in so far as through the differentiation of his psyche he has become the representative of divine truth.

De acordo com o Dictionary of Voegelinian Terminology, “Differentiation of consciousness” é:

Voegelin’s general phrase for the process by which the discernible features of consciousness as such and its objects are noticed and given expression. May have either noetic or pneumatic emphases. Especially refers to the development of a sense of the distinction between transcendent and immanent, e.g., between truth as such and particular truths, the good as such and particular goods, the transcendental divine ground and the world of immanence. The transcendental pole that is differentiated serves as a point of orientation that orders or structures consciousness.

Ou seja, o filósofo político, após diferenciar as várias dimensões e sutilezas, bem como os vários aspectos de sua psique, parte para a análise da sociedade, a partir de um princípio de ordem que encontrou dentro de si, porque sua psique reflete uma ordem que a transcende (para cima, é preciso deixar claro isso, em tempos de materialismo). Mais ou menos aquilo que o Mangabeira jamais faria.

Agora, só mais uma observação, didática. Segundo a terminologia de Voegelin, o Mangabeira seria compacto:

Voegelin’s term for experience having distinguishable features yet to be noticed as distinct. Contrasts with ‘differentiated’

Ou menos que compacto, já que, em vez de não “diferenciar” ele diferencia erradamente; diferencia aspectos bobos de sua psique!

~ by Evandro Ferreira on October 5, 2007.

3 Responses to “Olavo e Voegelin”

  1. Ai ai, a Academia no Brasil…

    Eu sofro, amigo, eu sofro. Já estou com um pé fora, e com vontade de tirar o segundo.

    A gente aprende muit mais lendo em casa e surfando na Net.

    Beijos grandes

    Sue

  2. Meu caro,
    Estou lendo (com muito esforço e mediana disciplina) Voegelin. Tentaria ler tudo que encontrar.
    As Reflexões Autobiográficas são saborosíssimas (e tem a mão condutora do maior discípulo de EV, Ellis Sandoz). Hitler e os Alemães: duro mas inteligível, agora “Anamnese” é uma pedreira… principalmente porque meu inglês (que não é grande cois) é muito bom perto da minha ignorância filosófica.
    Mas não desistirei. Gostei muito dele e atende a velhos questionamentos que me fazia, desde a juventude esquerdista.
    Abraço,
    BetoQ.

  3. Ah, o Cap.3 Anamnetic Experiments é fantástico!
    Errata: tentarei ler tudo…
    Amitiés,
    Beto.

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