O aumento da população de Brasília após o governo Lula foi impressionante. Quem nasceu lá, como eu, e viu a diferença, tem a impressão de que o país está ficando cada dia mais rico. De que outra forma explicar o aumento absurdo da quantidade de funcionários pagos com o dinheiro do contribuinte? Bem, acho que a explicação está, em parte, na otimização da arrecadação tributária por meio da informatização, da fiscalização e do controle do Grande Irmão. Outros fatores ficam por conta dos economistas, pois esta não é minha especialidade. Não sei por que, algo me diz, porém, que o aumento da riqueza do país não é um desses fatores.

Ah, esqueci-me de dizer que, além do aumento da população, teve também a mudança de perfil. Brasília ficou, por assim dizer, mais brasileira, ao menos segundo o ideal petista de Brasil: cultura popular, cultura popular, cultura popular, cultura popular. Resultado: cerveja, barulho, arruaça, “falta de educação”, sujeira nas ruas etc etc. Em suma, a cidade virou um show de música baiana gigante. Você sai para caminhar três quilômetros e vê uns 5 botecos enormes, lotados de gente se entupindo de cerveja. Debaixo das árvores, gente mijando. Muita bermuda florida, chinelo Havaianas e blusa de malha sem manga.

De resto, tem a Brasília de sempre também. As pessoas continuam sisudas. Não dão “Bom dia”, não falam “Obrigado” etc etc. Sei como é isso, porque eu era assim quando criança. A cena típica de Brasília é: você está na garagem esperando chegar o elevador social. Chega outro morador, não te cumprimenta, e entra pelo elevador de serviço. Mas sempre tem aquela cena que te assusta. Desta vez, foi a seguinte. Duas crianças brincavam empolgadas perto de suas babás, quando chegamos no prédio dos meus pais. Entramos na portaria juntos, quando as babás voltavam com elas. As duas crianças ficaram mudas e com cara de assustadas, aterrorizadas com a presença de estranhos no elevador. Não eram bebês. Já tinham uns 4 ou 5 anos de idade, a mesma idade das priminhas argentinas da minha mulher, que, quando fui a Córdoba, me deram três beijinhos, disseram-me “Hola!” e, pasmem, até conversaram comigo! Enfim, a cena me fez pensar muito em minha infância em Brasília, essa cidade estranha, e no Brasil em geral, esse país estranho, onde as pessoas sonham com uma sociedade perfeita, mas não têm nem educação para conversar umas com as outras no dia a dia.

~ by Evandro Ferreira on September 19, 2007.

One Response to “”

  1. Caríssimo,
    Saudações.
    Gostei do texto lá no 8 e vim conferir.
    Também estou lendo “Os Deuses de Hoje” (Bruno Tolentino).
    Também comungo alguns desses juízos sobre BSB. Ainda não conheci o Felipe. O César é amigo de longa data…como (quase) todo humorista meu râleur, mas sempre vale a pena conviver.
    Vale a pena ir a BSB por tudo isso e apesar do clima de baixada fluminense que reina na Coorte Petista (soube da violência contra o repórter do CB na periferia de BSB, Entorno, nosso querido e invadido Goyaz?).
    Aproveito pra enviar meu novo end. do blog.
    Abraço,
    Beto.

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