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Diz-se que se está filosofando seriamente quando a verdade do que pensamos começa a ficar mais clara em nossa cabeça, em um número cada vez maior de aspectos, coincidindo com a experiência de nossas próprias vidas. Pois a verdadeira filosofia se vive em tempo integral, ao invés de ser aquela brincadeira teórica da faculdade, quando escrevemos coisas que não resistiriam ao mínimo confronto com nossas experiências do dia-a-dia.

Estou buscando isso. E uma das coisas mais belas nessa busca é encontrar pela estrada pessoas que sentiram o mesmo porque viveram o mesmo. A coincidência existencial é muito mais bela do que a coincidência teórica, simplesmente porque a primeira leva à segunda de um modo muito mais natural que na hipótese inversa. Dois homens viverem as mesmas experiências em épocas diferentes é algo muito mais misterioso e bonito do que uma simples concordância teórica. Quando eu leio um livro, estou procurando no autor sentimentos que eu vivo. E, quando os encontro, algo de mágico acontece. É como se a verdade se mostrasse.

Certa vez eu disse uma coisa aqui neste blog.

Qual não foi minha felicidade quando descobri que, em vez de entender pouco de economia, na verdade eu entendo é muito! Ao menos muito mais que aqueles a quem me referia no tal post. E a seguinte passagem de Chesterton em “Ortodoxia” me deixou muito impressionado:

“É sempre muito custoso para alguém defender qualquer coisa de que esteja absolutamente convencido, ao passo que é comparativamente fácil fazer essa defesa quando está apenas parcialmente convencido. O homem está parcialmente convencido, porque encontrou esta ou aquela prova do fato e ser-lhe-á fácil expor o que pensa. Mas um homem não está realmente convencido de uma teoria filosófica quando há qualquer coisa que lha prova: o homem só está realmente convencido quando todas as coisas lha provam. E, quantas mais razões convergentes ele encontra para fundamentar essa convicção, tanto mais atrapalhado ficará se, repentinamente, lhe pedirem que sintetize essas razões”.

É claro que a minha experiência coincide com a dele apenas num sentido bastante vulgar. Em todo caso, ao menos serve para mostrar uma verdade. Pois, segundo ele mesmo disse, “quanto mais complicada parece a coincidência, menos poderá ser uma coincidência”.

~ by Evandro Ferreira on April 24, 2004.

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