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Uma das mais arraigadas leis da pseudo-sabedoria é a de que filmes norte-americanos são ruins “porque a estética hollywoodiana é clichê”. Os filmes europeus, por sua vez, jamais são clichê, mesmo que os ângulos e enquadramentos sejam eternamente os mesmos, mesmo que os personagens sejam pessoas eternamente entediadas e “blasé”, mesmo que a fotografia seja eternamente a mesma, variando de realista a semi-bucólica, mesmo que as cores sejam sempre as mesmas, levemente desgastadas e mortas.

Já tive de ouvir isso várias vezes: os filmes europeus são para pensar. Os filmes americanos são para levar a namorada no fim de semana. Quem diz isso é porque não tem namorada. Tudo fica mais simples quando não se tem namorada. Principalmente tirar onda de inteligentão.

O desprezo pelas técnicas cinematográficas de Hollywood é quase o maior dos consensos pseudo-sábios que conheço. E sabe o que eu penso dele? Acho ridículo. Acho que ele é um misto de preconceito minimalista e inveja tecnológica. Não sou nenhum nerd babão que “se amarra” nas explosões e “bzuéins, poins, puffz” daquelas vinhetas do Dolby Surround. Mas, – bolas! – os efeitos sonoros e visuais são bárbaros quando bem usados (vide “O Senhor dos Anéis”). Sinto-me feliz e livre como um pássaro. Sabe por quê? Porque sou capaz de gostar tanto de “O Senhor dos Anéis” quanto de “A insustentável leveza do ser”.

~ by Evandro Ferreira on April 13, 2004.

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