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É impressionante a quantidade de livros de estudos marxianos que se encontram nos sebos. Quando eu vou aos sebos maiores, ainda encontro livros diversificados, mesmo nas estantes de filosofia e sociologia. Mas, nos sebos de médio porte, é praticamente impossível encontrar qualquer coisa que não seja relacionada a Marx. O Brasil chegou a um ponto que parece uma sinuca de bico. Se um intelectual quer escrever um livro, ele tem de ser marxiano ou então anti-marxiano. Eu sonho com um tempo em que se possam escrever livros que nem se importem com o fato de que um dia existiu aquele louco. Quando eu li “A ideologia alemã”, mal consegui acreditar na insanidade daqueles autores. Virava as páginas avidamente, ansiando por saber até onde podia ir a loucura do materialismo histórico. É assustador como milhares de “sábios” puderam levar a sério a teoria pretensamente oracular de um burguês que afirmava que nenhum burguês, por definição, jamais seria capaz de qualquer tipo de auto-consciência que transcendesse sua condição material no mundo. Nietszche disse que Deus estava morto. Marx, por sua vez, se auto-elegeu como uma espécie de Deus pós-burguês não sujeito ao determinismo da cronologia histórica, no momento mesmo em que se auto-excluiu de sua teoria determinista. A teoria que determinava todos os seres humanos, menos o seu autor. Que conveniente!

~ by Evandro Ferreira on November 4, 2003.

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