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A Internet é um instrumento interessante. Você pode usá-la de diversas formas. Pode fazer como os executivos e as secretárias (estou sendo injusto, pois não são só eles; enfim, uns 90% da população virtual) e usá-la para repassar e-mails e ficar achando graça de coisas tolas, como fotos montadas e charges de Photoshop.

Mas você pode também participar de grupos de discussão que tenham “objetivos específicos”. Ah, como eu odeio grupos de discussão que tenham objetivos específicos! Eles não servem para absolutamente nada. São chatos, e seus membros sempre concordam em tudo. Eles geralmente nascem de projetos universitários: “é preciso discutir o jornalismo cultural no contexto da era digital”, ou “trata-se de explorar novos paradigmas teóricos no campo da semiótica e da teoria da comunicação” etc etc.

Mas não é exatamente sobre isso que eu queria falar. Eu queria falar sobre o uso que eu faço da Internet. Eu fico aqui escrevendo coisas diversas, e nem todos gostam do que lêem. Uns acham que eu sou polêmico demais, outros acham que eu sou um metido e que minhas opiniões são totalmente equivocadas. Então, de vez em quando alguém fica com raiva e resolve se manifestar. E as manifestações de discordância quase nunca são delicadas. Mas nem sempre criam inimizades! E isso é o mais legal. A Sue, por exemplo, eu a conheci no forum do Digestivo Cultural. Nós estávamos brigando e trocando farpas, tudo com muita classe, mediante o uso de argumentos e de muita retórica! hehe! E de repente nos tornamos amigos. Sim, por que não?

E é sobre isso que eu queria falar. Quando alguém te escreve um e-mail ou um comentário desagradável, por que não tentar conversar? Se você trata alguém com educação, essa pessoa pode ficar sem graça e perceber que não devia ter te ofendido. Quando falo de educação, eu não estou falando de ser doce e bobão, mas sim de dar alfinetadas com classe e até uma certa amizade. O conceito perfeito talvez seja “amizade semi-hostil”! Isso vale para tantas pessoas que eu conheço…

É lógico que muitas vezes isso não adianta de nada. Às vezes aparece no seu blog (ou caixa postal) uma daquelas almas penadas sem salvação, fadadas a voar por aí despejando sua verborragia auto-afirmativa. Geralmente essas pobres almas voam em bando, a repetir idéias em coro. Elas passam pelo seu blog, levantam os gráficos do Nedstat, incham as caixas de comentários. Começo a achar que elas possuem um certo caráter terapêutico. Realizam uma espécie de enchente no seu blog, limpando-o e deixando-o mais puro do que era antes, pelo efeito comparativo que causam: depois que elas se vão, você olha para o inferno que elas provocaram e pensa em como o seu blog voltou a ser limpinho e tranquilo. É mais ou menos como quando você recebe a visita de uma tia que trás seus 5 filhos pequenos e os solta dentro da sua casa. Quando eles vão embora você pensa: “sabe que eu nunca tinha percebido o quão calmo é o meu lar?”

~ by Evandro Ferreira on February 20, 2003.

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