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I have one or two things to say. A primeira delas é que estou-me sentindo muito honrado, muito mesmo, por estar lá dentro da emocionante retrospectiva da minha amiga Sue. Dito assim, até parece frio. Então vou dizer de outro jeito. Há pessoas que sabem reconhecer um amigo quando o vêem. Eu me considero uma delas. E a partir de hoje não tenho mais nenhuma sombra de dúvida de que você seja minha amiga, Sue! Quero dizer, já não me restava nenhuma dúvida e mesmo assim você vem me confirmar, só pra deixar bem claro, não é? Assim são os amigos. Você sabe que eles são amigos, mesmo assim eles continuam repetindo no seu ouvido “eu sou seu amigo, eu sou seu amigo”, por meio de gestos e palavras várias!

Dito isso, eu quero deixar aqui a minha palavra de protesto. É um protesto erigido em cima de provas sutis e tênues – do tipo que não funcionaria em um tribunal. Mas como a vida não é um tribunal, mas sim um mar de sutilezas e nuanças, creio ter recolhido todas as provas necessárias e posso dizer o seguinte. Grande parte dos leitores de Outonos parecem me ver como uma espécie de “dono” ou “cabeça” do site. Eu seria o grande intelectual e a Sue seria apenas uma mulher sentimental que o habita.

Pronto! Eu disse. Se for verdade, bem (ou mal). Se não for, que me perdoem a inaptidão para interpretar sutilezas. E se for verdade, quero dizer mais uma coisa. Eu sou apenas um pós-pirralho, que ainda está “fedendo a cueiro”, como diria minha mãe. A filosofia faz as pessoas parecerem importantes, não é mesmo? As coisas ditas de forma filosófica adquirem um ar de respeitabilidade. Pois eu digo o seguinte: não passei por um quinto das dificuldades por que minha amiga passou e não tenho um quinto da experiência de vida que ela tem. E por tudo isso é que eu não subestimo o jeito despretensioso que ela tem de escrever. Em cada linha que você escreve, Sue, transparece a sua simplicidade, que é a simplicidade da vida, que não precisa de filosofias. A filosofia é apenas uma maneira complexa de se recuperar a simplicidade perdida. Talvez seja por isso que as pessoas em geral não precisam de filosofia (ao menos as que não aderiram à politização esquerdista do cotidiano). Pois elas não perderam a simplicidade, portanto não precisam recuperá-la. E você caminha junto dessa simplicidade 24 horas por dia, minha amiga! Nós somos uma dupla lá no Outonos. O Outonos é o jardim onde floresce a nossa amizade e a de todas as pessoas que aparecem por lá, para ler ou escrever. E nossa parceria é que faz as coisas funcionarem. Eu traço uma teoria complexa e afetada e você joga rosas em cima dela, pintando-a com as cores do dia-a-dia, como quem diz “você está certo, mas vamos tomar um chazinho lá em casa”. Sem você eu seria apenas um solitário pedante, “dono” de um site sério e pesado.

Ah, e eu ia falar de machismo, mas deixa pra lá. Recuso-me a acreditar em machismo virtual.

Enfim, obrigado por ser minha amiga e feliz aniversário (ainda que atrasado), minha co-editora Sue! E pensar que ainda nem nos encontramos… Que coisa que é a Internet…

~ by Evandro Ferreira on January 14, 2003.

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