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O algoz mais eficaz é aquele cuja presença é tão forte que ofusca a si mesma.

Eu estava na praia com uns amigos (espero que eles não leiam isto, ou melhor, tomara que leiam!). Uma garota lia aquele livro de safadezas da Catherine M. Outros (sim! No plural!) liam uma coletânea de frases recém-lançada. Estas coletâneas de aforismos, por sinal, fazem um grande sucesso hoje em dia, justamente porque podem ser lidos em voz alta em qualquer lugar (devido à brevidade das sentenças) e compartilhados pela coletividade.

Depois desse exercício de coletivismo, um deles me pergunta: “E você? O que está lendo?”.

Ao que prontamente respondo: Braz, Quincas e Cia.

“Sobre o que é?”, quer saber. Perguntinha aliás absurdinha, de alcance infinito, como o vácuo de ignorância que quer romper como uma lança inútil e breve.

“Sobre o excesso de coletivismo hoje em dia”, foi minha resposta traduzida em línguasimples, devidamente dumbed down.

E a resposta: “Sobre o excesso de coletivismo?” (tom de estranhamento, pois o “certo” – ou politicamente-correto – seria escrever sobre o excesso de individualismo).

Depois de minha resposta veio o silêncio e nada mais. Ou seria o co-silêncio?

~ by Evandro Ferreira on January 9, 2003.

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