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O Paulo Salles abriu seu blog e eu não estava sabendo. Que pecado! Então lá vai o link e uma “amostra do conteúdo” (pimenta pura!).

Lucida Lancis

“Ninguém neste país sobreviveu à última semana sem ouvir pelo menos uma vez a pergunta: ‘E aí, já viu Cidade de Deus?’ Não vi, e tenho pelo menos duas boas razões para isso. Primeiro, porque prometi a mim mesmo que nunca mais assistiria a um filme nacional desde quando vi, alguns anos atrás, uma cena – esqueci o nome do filme; sei apenas que era dirigido por um publicitário, o que não ajuda muito – em que aparecia um sujeito tocando saxofone, de cueca, numa sacada de apartamento. É o seguinte: não dá. Tudo tem limite. Eu agüento um bocado de coisas, mas só até certo ponto. Saí correndo da sala, com a firme determinação de manter distância, para o resto da vida, dessa farsa hedionda chamada cinema brasileiro. E desde então jamais quebrei a promessa (quer dizer, exceto por aqueles curta-picaretagens de exibição obrigatória, antes dos filmes propriamente ditos). Segundo, porque sou o tipo de pessoa para quem cinema é Some Like It Hot, ou algo assim, e não tenho a menor paciência para filmes sobre gente feia, pobre, desdentada. Em vinte minutos minha atenção se desvia e começo a especular se a ramela mostrada nos closes é maquiagem ou natural. E não consigo tirar da cabeça aquela frase do Paulo Francis: ‘Sempre que vejo algum favelado em filme brasileiro tenho vontade de sair gritando: ‘É um santo! É um santo!””.

~ by Evandro Ferreira on September 13, 2002.

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