Chega de reclamação

•November 9, 2009 • Leave a Comment

Apesar de ser o desilustre possuidor de um blogue dotado de um nome tão amargo como este aqui, o fato é que não sou hoje o mesmo que era quando criei este espaço de lamentação cotidiana. Em outras palavras, não ando nem de longe tão reclamão quanto eu era até há, digamos, uns dois anos. Ainda considero que ter nascido no Brasil é um fardo e um desafio de sobrevivência, mas deixei de achar que as pessoinhas lamentáveis (importante: aqui não me refiro aos políticos) que fazem desta terrinha o que ela é mereçam minha agonia. O caminho simplesmente não passa pela reclamação e pela lamentação, muito embora seja divertido agonizar verbalmente de vez em quando! O caminho é a autopreservação no meio da podridão, através de várias estratégias de sobrevivência, que passam até pela esfera financeira. Nesta esfera, por exemplo, meu planejamento financeiro não visa uma “aposentadoria digna aos 65 anos de idade”, como costuma ser o caso num país normal. Num lugar como o Brasil, onde os impostos são surreais, as pessoas são ladras e, consequentemente, quase toda forma de bem-estar – até mesmo as mais básicas – custa dinheiro, não basta ter uma quantidade razoável de dinheiro para não passar necessidades e contrariedades; é preciso ser rico. E num contexto assim, vale a pena fazer sacrifícios para garantir uma espécie de aposentadoria precoce, pois o emprego também pode ser perdido facilmente. Enfim, meu objetivo financeiro é “viver de renda”. No Brasil isso não é luxo, deveria ser um objetivo de qualquer pessoa sã, ainda que, para isso, seja preciso fazer uma quantidade de economia acima da média por uns anos. O slogan seria algo como: empobrecer para enriquecer. Ou: quando você tiver vontade de comprar aquele carro ou fazer aquela viagem ao exterior, guarde o dinheiro. Se essa vontade vier de novo no ano que vem, guarde o dinheiro de novo. Em uns 6 ou 7 anos você vai ver que já estará rico. Acha que eu estou brincando? Há até livros sobre isso. Uma vez li sobre um casal que ficou enfurnado em casa por 5 anos, sem ir a restaurantes, sem viajar e sem encontrar com os amigos senão em casa mesmo ou na casa destes. Conseguiram economizar, durante esse tempo, mais de metade de sua renda mensal. Sabe o que aconteceu? Eles ficaram ricos.

Alguém vai dizer que dinheiro não traz felicidade. Mas a isso eu respondo: não deveria, mas no Brasil traz. Ou antes: é precondição para ela, numa proporção muito maior do que deveria ser.

Ler sem sublinhar?

•October 22, 2009 • Leave a Comment

O aplicativo Kindle para iPhone agora deixa a gente sublinhar o texto e tomar notas. Agora a coisa está ficando um pouquinho mais profissional. Como os ebooks querem ganhar o mercado dos impressos se a gente não puder nem sublinhar o que está lendo?

Impostinhos! Impostinhos!

•October 21, 2009 • Leave a Comment

Será que ninguém percebeu que com a taxação de 2% sobre o capital estrangeiro na bolsa de valores o governo brasileiro está querendo é ganhar dinheiro fácil? Conecte os fatos: o Brasil está na boca do mundo por causa das Olimpíadas, da Copa e da nova crença de que os emergentes são a salvação econômica do mundo; investir aqui é seguro, já que, como investimentos não saem andando pela rua, não podem ser assaltados (esta é do Olavo…); há ainda o pretexto de que o real está muito valorizado e por isso as exportações saem prejudicadas (quando todo mundo deveria saber é que a carga tributária brasileira é tão pesada que a competitividade dos exportadores fica dependendo totalmente do câmbio). Enfim, o momento era perfeito para lançar mais um delicioso IMPOSTINHO.

Brasil é isso: tráfico de drogas, 50 mil homicídios por ano, morar em apartamento, pagar impostinhos! Se este novo é para os estrangeiros, é só porque o máximo de solidariedade tributária de que o governo é capaz consiste em taxar os gringos em vez de nos taxar.

Do dinheirismo brasileiro

•October 19, 2009 • Leave a Comment

Eu há muito bolei uma teoria. Para mim, a relação entre oferta e demanda, no Brasil, não possui tanto poder para determinar os preços. A ganância e o dinheirismo bananêses desafiam as leis econômicas. Como exemplo, costumo citar fenômenos como os de apartamentos que demoram 5 anos para vender, sem que o vendedor abaixe o preço (um prejuízo de no mínimo 100% para quem vende) e livros a preços exorbitantes na Estante Virtual. Veja o seguinte. O livro “Del paganismo al cristianismo”, de Jacob Burckhardt, é vendido a 88 reais pela Livraria Cultura, novo (link aqui). Não obstante, o exemplar mais barato na Estante Virtual custa 100 reais e o mais caro, pasmem, custa 150 reais. Negócio da China? Não, negócio do Brasil.

Note que o que eu disse sobre as leis econômicas não está totalmente certo. Os bananêses as desafiam, mas não vencem, pois o preço de um apartamento, por exemplo, se está alto no momento em que se lança a venda, alcança seu valor justo 5 anos depois, após sofrer o impacto da inflação.

Escritores

•September 4, 2009 • Leave a Comment

NÃO, jornalistas. Eu não quero saber as opiniões políticas de escritor nenhum. Por favor, não entrevistem escritores.

Safadinhos

•August 28, 2009 • Leave a Comment

A humanidade surgiu na África, mas os carinhas se mandaram para o Egito e para a Suméria rapidinho. Safados!

Homenagem

•June 27, 2009 • 3 Comments

O melhor de Michael Jackson:

Continuidade

•May 29, 2009 • Leave a Comment

O que um cidadão faz quando descobre que agonizar diante da Kali Yuga é um defeito e não uma qualidade de caráter?

Ademais, a grande pergunta é: você (eu) seria capaz de abrir mão desse maravilhoso direito de escolha racional de rumos, para em vez disso seguir fielmente uma tradição? Ou ainda: faz sentido LAMENTAR a Kali Yuga in the first place? O agir racionalmente ou o agir segundo uma tradição não pressupõem, ambos, a aceitação das circunstâncias como ponto de partida para o plano de vida?

Cuidado, Evandro. Não se deixe transformar numa cobra autofágica.

Conversinha

•March 31, 2009 • Leave a Comment

Hoje na fisioterapia um sujeito reclamava da aposentadoria. Ele contribuiu sobre 20 salários a vida toda e hoje ganha 13. Na seqüência, uma conversinha chata sobre como o governo é injusto com as pessoas. O cara trabalhava na gestão de um fundo de pensão (provavelmente a Previ).

Como uma pessoa que trabalha com investimentos a vida inteira pode deixar sua aposentadoria depender do Estado? A resposta é: sendo um funcionário público. Funcionários públicos não aprendem com a vida. Eles podem administrar até fundos off-shore para empresários trilhardários (caso verídico de um conhecido) e mesmo assim seus planos para a aposentadoria se resumem, no máximo, a contribuir com fundos de previdência privada. Se eu administrasse fundos off-shore meu sonho seria ter iates gigantes e abrir fundações em prol da cultura (não a brasileira, certamente!) quando me aposentasse. Aliás, nem preciso ser isso para ter esses sonhos.

Profundidade

•March 26, 2009 • 2 Comments

A PF prendeu a dona da Daslu, que é, para todos os brasileiros enquadradinhos, o símbolo maior da futilidade. Enquanto isso o povo se dedica a coisas MUITO mais profundas do que a compra de roupas de luxo, como beber cerveja, assistir a partidas de futebol e babar o ovinho do presidente molusco.