O melhor de Michael Jackson:

O que um cidadão faz quando descobre que agonizar diante da Kali Yuga é um defeito e não uma qualidade de caráter?
Ademais, a grande pergunta é: você (eu) seria capaz de abrir mão desse maravilhoso direito de escolha racional de rumos, para em vez disso seguir fielmente uma tradição? Ou ainda: faz sentido LAMENTAR a Kali Yuga in the first place? O agir racionalmente ou o agir segundo uma tradição não pressupõem, ambos, a aceitação das circunstâncias como ponto de partida para o plano de vida?
Cuidado, Evandro. Não se deixe transformar numa cobra autofágica.
Hoje na fisioterapia um sujeito reclamava da aposentadoria. Ele contribuiu sobre 20 salários a vida toda e hoje ganha 13. Na seqüência, uma conversinha chata sobre como o governo é injusto com as pessoas. O cara trabalhava na gestão de um fundo de pensão (provavelmente a Previ).
Como uma pessoa que trabalha com investimentos a vida inteira pode deixar sua aposentadoria depender do Estado? A resposta é: sendo um funcionário público. Funcionários públicos não aprendem com a vida. Eles podem administrar até fundos off-shore para empresários trilhardários (caso verídico de um conhecido) e mesmo assim seus planos para a aposentadoria se resumem, no máximo, a contribuir com fundos de previdência privada. Se eu administrasse fundos off-shore meu sonho seria ter iates gigantes e abrir fundações em prol da cultura (não a brasileira, certamente!) quando me aposentasse. Aliás, nem preciso ser isso para ter esses sonhos.
A PF prendeu a dona da Daslu, que é, para todos os brasileiros enquadradinhos, o símbolo maior da futilidade. Enquanto isso o povo se dedica a coisas MUITO mais profundas do que a compra de roupas de luxo, como beber cerveja, assistir a partidas de futebol e babar o ovinho do presidente molusco.
É fácil esconder a informação das pessoas hoje em dia. Basta não divulgá-la. Se você não quer que seus amigos fiquem sabendo daquilo que você escreve na Internet, abra um blogue (pode ser com seu nome real mesmo) e saia escrevendo. Quer apostar que nenhum deles jamais vai te procurar? Quer apostar que são todos uma imensa boiada acessadora de orkutes e facebooks? Você pode até colocar o link do seu blogue no Orkut que mesmo assim ninguém nunca vai acessá-lo. Mas cuidado! Se seus updates do Twitter aparecerem no “status” do Facebook (aquele campinho ordinário que até os iletrados lêem sem querer de vez em quando), é melhor pôr sal grosso na porta de casa, porque a inveja e o juízo de valor vão rolar soltos. A pior coisa que pode acontecer com uma pessoa é ter seus desabafos virtuais lidos por indivíduos para quem a palavra escrita é só um meio (se tanto!).
Ah, e sobretudo não deixe JAMAIS que seus parentes leiam o seu blogue. Eles podem pensar que você segue à risca tudo aquilo que escreve. Oh, tragédia. Podem pensar que você é uma pessoa que se leva tão a sério ao ponto de poderem te chamar de “iludido”!
O kit de dependência do Estado é: casa própria mais culto do emprego. Torre toda a sua grana comprando um apartamento e depois passe o resto da vida trabalhando sem conseguir juntar dinheiro para aposentar-se com dignidade.
Eu já tomei o antídoto para isso. Parentes me dizem que pagar aluguel todo mês é coisa de gente rica. Coisa de gente rica! Dá pra acreditar? Eu sempre achei que quem morava de aluguel fosse minha empregada, não o dono da empresa onde eu trabalho. Corrijam-me se eu estiver errado.
Morar de aluguel é um ato de humildade financeira.
Bem, logicamente que essa humildade pode ser anulada se o sujeitinho nem comprar sua casa própria e nem juntar mais dinheiro do que juntaria se a tivesse comprado. Mas esta é a própria essência da idéia de controle estatal. Quem não quer pensar e planejar, terceiriza essa tarefa para o Estado. Imagine terceirizar todos os aspectos do planejamento de sua “empresa” de vida a uma instituição totalmente incompetente. entende o que quero dizer?
Em suma, daqui a 15 anos pretendo estar gozando de férias permanentes numa praia de Florianópolis, enquanto 99% de meus amigos (sem ofensas, folks!) estarão trabalhando exatamente como hoje. Quando esse tempo chegar, deixarei de pagar aluguel, pois o dinheiro do apartamento que eu não comprei terá engordado inacreditavelmente (para quem não entende de investimentos) e eu poderei, com ele, comprar uma casa e viver confortavelmente da renda do que restar.
Tudo bem, este texto ficou meio arrogante. Mais é que eu já tentei a abordagem boazinha-conscientizadora e não adiantou. Ademais, isso aqui é mais um desabafo que um conselho. Se servir de consolo, receberei a todos com prazer em minha mansão!
Minha tia assiste a missas do Padre Marcelo. Pessoas que assistem a missas do Padre Marcelo NÃO podem entrar no céu. Como também não merecem ir para o inferno (são umas coitadas), concluo que o lounge do céu divide-se em pelo menos dois ambientes.
São Pedro: “Olá, minha filha. Lamento, mas aqui tu não podes entrar.”
Tia: “Como?”
São Pedro: “O ambiente para fãs do Padre Marcelo é ali ao lado, antes da escada rolante que desce ao inferno. Os fiéis simplesmente não agüentam fãs do Padre Marcelo, e eu não posso culpá-los por isso. Sabes como é… Então reservamos um espaço razoavelmente agradável para vocês, pois o Mestre acha injusto destina-los ao Caramunhão.”
Quanto aos evangélicos, bem, ainda não consegui decidir se são coitados como os fãs do Padre Marcelo, ou se são merecedores de um destino mais, digamos, cruel.
“Como acontece com a maioria das emoções, o ódio é moralmente neutro. Sua valência moral depende de seu objeto. A menos que se seja o tipo de rigorista cristão que leva o Sermão da Montanha ao pé da letra, isto é, como fonte de orientação para a vida neste mundo e não (conforme era sua intenção) como uma forma de preparação para a vida num outro reino cuja vinda se considere iminente, a ninguém ocorrerá que seja imoral odiar Hitler ou Stalin.”
Ah, as simplificações…
Decidimos mudar de cidade novamente no médio prazo. “Decidimos”. Parece aqueles livros em que o autor fala na primeira pessoa do plural: “Após profundas investigações acerca do significado da metafísica, constatamos que (…).”
Mas não. “Decidimos”, aqui, sou eu e minha mulher.
Mudar é fugir. Como fugir não adianta. Também não vai adiantar mudar. Mas mudaremos mesmo assim, porque tentar é interminável por natureza. Um dia chegaremos a algum lugar, nem que seja em nós mesmos.

Ao abrir o site da Gol e ver que as passagens de avião estão custando a metade, não pude deixar de pensar o seguinte. O que será maior: o prejuízo que o governo teve quando não repassou à gasolina o preço de quase 140 dólares do barril de petróleo, ou o lucro que está tendo agora por não estar repassando o preço de 40 dólares desse mesmo barril?